Falando sobre objetos foram usados nomes como João, Maria e Pedro, os quais denotam objetos específicos, neste caso as pessoas que habitam uma casa.
Também apareceram os nomes Xpit e Xbeta que denotam outros dois objetos bem particulares: os dois cães que também moram na casa.
Numa casa típica há, também, vários outros objetos para os quais em geral não há designação específica que os identifique (referencie) individualmente. É o caso das louças, móveis, etc.
Note que em frases como "Xpit está lá no jardim brincando com Pedro" há referências a objetos específicos. Neste caso não há dúvidas sobre a identidade dos objetos que estão sendo referenciados: o cão de nome Xpit e a criança de nome Pedro.
Uma segunda forma de se referenciar objetos pode ser obtida por construções como: "o cão é amigo do homem". Neste caso as palavras cão e homem não referenciam nenhum objeto específico como no caso anterior. Estas palavras estão sendo usadas para referenciar aqueles objetos que possuem características de cães e homens, respectivamente, ou seja, aqueles objetos que possam ser de alguma forma identificados como sendo um cão ou um homem.
Observe, então, que existe uma certa categorização (classificação) dos objetos; há objetos que são xícaras, outros que são cães, outros que são pessoas, etc. Estas categorias (classes) agrupam os objetos com base em algum conjunto de propiedades comum a todos estes objetos. Para exemplificar, considere que os cães são objetos que tem as seguintes propriedades: pelos, rabo e que late. Esta visão simplista do que é um cão é suficiente para diferenciá-lo de, digamos, uma xícara, já que é sabido que as xícaras nao tem pelos e tampouco latem.
Considere o diagrama que se segue:
Perceba que esta hierarquia difere muito da hierarquia de agregação/decomposição. Em vez de dizer que "x <é composto de> ..." ou que "y <é parte de> ...", aqui diz-se que:
| uma Pessoa <é um> Objeto |
| uma Criança <é uma> Pessoa |
| um Armário <é um> Móvel |
Nesta hierarquia as categorias (classes) são tão mais específicas quanto mais abaixo elas aparecem. Louça, por exemplo, é uma classe que denota um grande número de objetos, incluindo os objetos das classes: Xícara, Prato, Copo, etc. Diz-se, então, que Xícara é uma especialização (subclasse) de Louça, pois ela denota objetos que possuem características mais particulares. De forma similar, a classe Móvel é uma especialização da classe Objeto.
Numa perspectiva inversa, as classes são tão mais genéricas quanto mais próximas do topo da hierarquia. Diz-se, então, que a classe Louça é uma generalização (superclasse) das classes Xícara, Prato e Copo.
Há que se notar que dependendo do contexto (domínio de aplicação) em que se está imerso, um mesma classe pode ser especializada de diferentes formas. Num certo contexto a classe Pessoa, por exemplo, pode ser especializada segundo sua idade nas classes: Adulto, Criança e Bebê.
Em algum outro contexto esta mesma classe pode ser subdividida segundo sua situação administrativa em: Pessoa Física e Pessoa Jurídica.
O nível de detalhamento (especialização) também pode variar. No casa da classe Animal, por exemplo, num dado contexto ela pode ser especializada em: Cão, Gato e Homem.
Contudo, certas aplicações podem exigir um nível maior de detalhamento. Assim, esta mesma classe poderia ser especializada sua a taxonomia animal em:
Este, aliás, é o exemplo mais clássico da hierarquia de especialização/generalização.
Como visto acima, sob o ponto de vista administrativo (no contexto de um banco, por exemplo) a noção de Pessoa geralmente é subdividida (subclassificada) em: Pessoa Física (um ente individual) e Pessoa Jurídica (uma empresa ou sociedade).
Uma possível descrição da estrutura (hierarquia de agregação/decomposição) de cada uma destas classes poderia ser:
e
Note que as três propriedades mais a esquerda (Nome, Endereço e Telefone) são comuns às duas classes. Como ambas as classes são subclasses da classe Pessoa, estas propriedades podem ser melhor descritas diretamente na classe Pessoa, evitando, desta forma, a repetição observada acima.
O efeito final é o mesmo, ou seja, os objetos pertencentes às classes PessoaFísica e PessoaJurídica terão as seis propriedades que lhe são características (as três comuns, mais as três particulares). Isto ocorre em função das classes PessoaFísica e PessoaJurídica serem especializações da classe Pessoa e, portanto, herdarem as suas propriedades.
A herança de propriedades também vale para as ações. Considere a hierarquia de especialização/generalização que se segue. Nela está expresso que Mamífero e Ave são subclasses (especializações) de Animal, e que Homem, Gato e Cão são subclasses de Mamífero.
Uma açao característica de todos os mamíferos é mamar. Sendo assim, descreve-se esta ação diretamente na classe Mamífero, de forma que, por herança, todas as subclasses passam a apresentar esta propriedade. Evita-se, assim, a necessidade de descrever esta ação em cada uma das subclasses de Mamífero. De forma similar, uma açao característica de todos os animais é olhar. Por herança, as subclasses imediatas de Animal (Ave, Mamífero, etc) passam a apresentar esta propriedade e, por transitividade, as subclasses destas classes também passam a fazê-lo.
O resultado deste mecanismo de herança de propriedades é que um objeto da classe Cão, por exemplo, inclue em seu comportamento peculiar as ações olhar e mamar, além de outras ações bem particulares que estarão descritas diretamente na classe Cão.